quarta-feira, 23 de julho de 2008

Resiliência e o autocontrole emocional

Já não lhe aconteceu de ter uma reação explosiva no ambiente de trabalho, quando entrou em conflito com um colega ou recebeu um feedback ofensivo do chefe? Realmente, muitos já passaram por situações em que ficaram profundamente irritados e perderam a paciência com alguém, o que os levou a atitudes de que se arrependeram depois. É nesses momentos que falta a famosa, mas tão pouco utilizada, “inteligência emocional”.
De acordo com Daniel Goleman, psicólogo americano especializado no assunto e autor do best seller "Inteligência Emocional”, há uma explicação neorológica para o comportamento agressivo diante de situações desagradáveis ou ameaçadoras. Ela está ligada a uma pequena estrutura do cérebro chamada amígdala, que gera respostas emocionais e imediatas para a nossa proteção e é a responsável por essas explosões.
Localizada na parte inferior do cérebro, a amígdala é uma das estruturas mais primitivas do ser humano. Quando nossos ancestrais das cavernas ouviam ou viam algo e esse estímulo auditivo ou visual era interpretado como sinal de perigo, a amígdala imediatamente dava uma ordem do tipo “fuja” ou “ataque”. Era, portanto, uma reação emocional, impulsiva, sem nenhum questionamento da melhor atitude para a situação. Só bem mais tarde, com a evolução do homem, surgiu na região próxima a testa uma estrutura chamada neocórtex, que comanda as ações racionais. Quando recebe algum estímulo, o neocórtex analisa a situação e elabora uma resposta racional.
Se evoluímos e nos tornamos capazes de reações racionais, por que então continuamos tendo explosões emocionais? Segundo Goleman, isso ocorre porque o estímulo chega primeiro à amígdala. Quando vivenciamos uma situação que é interpretada pela amígdala como ameaça, ela dispara o alarme do “fuja” ou do “ataque” antes que o neocortex pense "calma, vamos montar um plano de ação para resolver este problema mais assertivamente". Goleman chama esse processo de "seqüestro da amígdala".
Hoje percebo que por várias vezes fui “refém” desse seqüestro. Lembro-me de uma situação que vivenciei com um cliente de minha empresa de sistemas. Durante uma reunião, ele começou a fazer críticas ao projeto que eu apresentava e apontar defeito em tudo. A certa altura, chamou minha empresa de incompetente, e aí meu sangue ferveu. A palavra “incompetente” foi o estímulo auditivo que disparou o alerta da amígdala e me fez ter uma reação emocional: fechei o notebook e saí da sala dizendo que jamais trabalharia para aquela empresa. Graças a essa reação emocional e intempestiva, perdi o cliente e oportunidade de desenvolver um projeto crucial para o crescimento da minha empresa. Hoje compreendo que se tivesse ficado quieto até o neocórtex se manifestar, poderia ter explicado melhor o projeto ao cliente e feito as correções necessárias para atender suas necessidades. Com isso, teria um novo produto para comercializar e talvez tivesse mantido o cliente comigo até hoje.
Acredito que uma pessoa resiliente consegue desativar o seqüestro da amígdala, evitando as reações impulsivas que podem pôr tudo a perder. Elas fazem o famoso " conte até 10 " para dar tempo de o neocórtex processar a situação racionalmente. Com isso, evitam atitudes destemperadas que são catastróficas para uma solução eficaz, pois, como dizia Albert Einstein, “um problema não pode ser resolvido no mesmo estado emocional em que foi criado ou descoberto“.
Agora, se contar até dez ainda não for o suficiente para elaborar uma resposta emocional à situação que tira você do sério, diga essa utilíssima frase que aprendi para esses momentos: “Vou pensar nisso e falo com você depois”.


Ricardo Piovan - Palestrante e Consultor Organizacional

sexta-feira, 11 de julho de 2008

O Pedagogo Empresarial atuando em espaços não escolares

Desde sempre, o pedagogo tem se caracterizado como o profissional responsável pela docência e especialidades na educação, tais como: Direção, Coordenação e Supervisão, entre outras atividades específicas da escola. Dificilmente, encontra-se o profissional da educação desvinculado da escola propriamente dita e inserido em outras atividades, como empresas, mesmo que este trabalho refira-se à educação. Hoje o curso de Pedagogia passa por um processo de reestruturação com propostas divergentes de diretrizes curriculares, considerando as mudanças ocorridas no processo produtivo, faz-se importante contemplar a possibilidade de atuação desses profissionais em outros setores do trabalho. Essas transformações estão nos levando a um novo modelo, a um novo paradigma de organização da economia e da sociedade: uma economia do saber. Ficamos diante da famosa e complicada sociedade do conhecimento, na qual o recurso controlador não é mais o capital, a terra ou a mão-de-obra, mas, sim, a capacidade e experiências dos indivíduos. Qualificar profissionais para atuarem no âmbito empresarial, visando os processos de planejamento, capacitação, treinamento, atualização e desenvolvimento do corpo funcional da empresa é o foco da Pedagogia Empresarial. O reflexo mutatório na escola deixa claro a exigência urgente do mercado de trabalho que não abriga mais o trabalhador mecanizado, mero executor de tarefas, personificado na figura robotizada do personagem do filme Tempos Modernos de Charles Chaplin. O ambiente organizacional contemporâneo solicita o trabalhador pensante, criativo, pró-ativo, analítico, com habilidade para resolução de problemas e tomada de decisões, capacidade de trabalho em equipe e em total contato com a rapidez de transformação e a flexibilização dos tempos atuais. Surgem assim os questionamentos: como conseguir isso? Como conseguir desenvolver competências nos alunos das escolas atuais? Como contribuir para a construção de colaboradores autônomos, e com espírito de aprendizes? Como manter as organizações atualizadas a meio a tantas mudanças? Como transformar o ambiente de trabalho em um ambiente de aprendizagem permanente? Neste contexto de tantas indagações, é que aparece a figura do Pedagogo Empresarial. Cada vez mais as empresas descobrem a importância da educação no trabalho e começam a desvendar a influência da ação educativa do Pedagogo na empresa. Sendo assim, a pedagogia conta com o Pedagogo Empresarial dentro da empresa, visando sempre melhorar a qualidade de prestação de serviços. Atualmente, a empresa começa abrir espaço para que este profissional possa, de maneira consciente e competente, solucionar problemas, elaborar projetos, formular hipóteses, visando à melhoria dos processos instituídos na empresa, garantindo a qualidade do atendimento, contribuindo para instalação da cultura institucional da formação continuada dos empregados. O Pedagogo na empresa produz e difunde o conhecimento, exercendo o seu papel de educador. A maneira de atuar na empresa deve buscar modificar o comportamento dos trabalhadores de modo que estes melhorem tanto suas qualidades no desempenho pessoal e profissional. A atuação do Pedagogo Empresarial esta aberta. É ampla e extrapola a aplicação de técnicas visando estabelecer políticas educacionais no contexto escolar. Avança sobre as pessoas que fazem as instituições e empresas de todos os tipos, portes e áreas, tais como: indústrias, construção civil, órgãos municipais, estaduais e federais, escolas, hotéis, ONGs, instituições de capacitação profissional e assessorias de empresas. O Pedagogo Empresarial tem o domínio de conhecimentos, técnicas e práticas que, somadas à experiência dos profissionais de outras áreas, constituem instrumentos importantes para atuação na gestão de pessoas: coordenando equipe multidisciplinares no desenvolvimento de projetos; evidenciando formas educacionais para aprendizagem organizacional significativa e sustentável; gerando mudanças culturais no ambiente de trabalho; na definição de políticas voltadas ao desenvolvimento humano permanente; prestando consultoria interna relacionada ao treinamento e desenvolvimento das pessoas nas organizações. O desafio desse novo profissional, diferentemente do que podem pensar alguns, não se resume a conduzir dinâmicas de grupo e preparar material de treinamento para o qual as pessoas não estão engajadas ou enxergando uma necessidade imediata. Isto requer muito trabalho. É preciso estudo e observações cuidadosas do que está acontecendo dentro da empresa e entender o seu ecossistema, como ele funciona e por que existe um desequilíbrio dentro dele. Tal diagnóstico requer do Pedagogo Empresarial perspicácia, observação, envolvimento, desprendimento, coragem, preparo técnico, ousadia, vontade, criatividade e desejo efetivo pela descoberta dos pontos de desequilíbrio dentro da corporação. Uma questão importante para a formação e a atuação do Pedagogo Empresarial diz respeito ao entendimento dos comportamentos humanos no contexto organizacional, tendo em vista que toda sua atuação está pautada na dimensão humana. As políticas de Recursos Humanos, por si só, não garantem mudanças ou comprometimentos mais ou menos efetivos; tem no elemento humano o seu ponto-chave. A maneira de agir desse novo profissional precisa ocorrer de forma relacionada e cooperativa com a dos outros profissionais de gestão. Assim será possível elaborar e consolidar planos, projetos e ações que visem colaborar para a melhoria da atuação dos funcionários, bem como melhorar o desempenho da empresa. Grandes empresas no Brasil já contam com Pedagogos Empresariais para facilitar o desenvolvimento de pessoas mais produtivas e satisfeitas com o ambiente de trabalho, fatores que garantem à Empresa o enriquecimento do patrimônio intelectual, redução de custos com rotatividade, absenteísmo, eficiência nos produtos e serviços, maior competitividade organizacional e melhoria da imagem da Empresa. Contamos hoje, com algumas Universidades que ofertam o Curso de Especialização em Pedagogia Empresarial. No Rio Grande do Norte, à Universidade Potiguar – UnP, promove o Curso de Pós-Graduação em Pedagogia Empresarial Estratégica sob a coordenação das professoras Esp. Maria Lúcia Leandro Pereira, e M.Sc. Jucilandia Braga Lopes Tomé. No Rio de Janeiro, já foram realizados dois Encontros Nacionais de Pedagogia Empresarial promovidos pela especialista em Pedagogia Empresarial, Izolda Lopes. Por ocasião do I ENPE, em 2005, Izolda Lopes teve a iniciativa de dedicar a data de sua realização (28/06) como o Dia do Pedagogo Empresarial. O III ENPE teve como tema: “Competências e habilidades do Pedagogo Empresarial”. O objetivo deste encontro foi de promover um intercâmbio entre profissionais sobre os espaços e as formas possíveis de atuação da Pedagogia Empresarial.
Fonte: http://www.administradores.com.br/artigos/o_pedagogo_empresarial_atuando_em_espacos_nao_escolares/14164/
Acesso em 11 de julho de 2008.

A didática como ferramenta no treinamento

Geisiane Fernandes de Carvalho
Mogi Guaçu, 2005.
A didática é muito visada pela sociedade atual como principal ferramenta para garantir melhores resultados e progressos, tanto na área empresarial quanto na educacional.
Bons avanços a este respeito trazem grandes resultados por meio de uma aplicabilidade adequada de tal instrumento, na capacitação de profissionais, sejam eles especialistas ou não.
A didática se define por meio de estudos de técnicas de ensino em todos os aspectos práticos, sendo possível colaborar para um bom planejamento, favorecendo um meio inovador na aplicação de treinamentos.
Quando falamos em treinamento, a primeira idéia que nos vem à mente são os estudos realizados ao longo de semanas de curso. Mas, para facilitar, podemos compreender por outro ângulo, que não é tão pesaroso assim.
A aprendizagem, a qualificação e o conhecimento nos tornam seres humanos livres e reflexivos, e capazes de ter uma visão além de obstáculos muitas vezes colocados por nós mesmos.
Por meio da didática somos conduzidos por pontos norteadores a planejamentos, organização de materiais e idéias, objetivo, metas, flexibilidade e, enfim, obtenção de resultados. Ela nos aponta o caminho que conduz ao desenvolvimento global, seja no ramo empresarial ou no educacional.
O indivíduo, após passar por um processo de aquisição de um determinado conhecimento, jamais terá uma visão de antes, adquirindo novos conhecimentos. E, com certeza, contribuirá para o seu desenvolvimento e, conseqüentemente, um avanço maior da empresa para a qual trabalha.
É necessário inovar, motivar e buscar sempre algo novo, diferente, pois é evidente a existência de cobrança do mercado de trabalho, principalmente por profissionais qualificados, treinados e com energia para exercer o seu cargo adequadamente, com serenidade e autonomia.
Treinar não significa tornar o outro adaptado, mas provocá-lo para uma busca ainda maior de sua prática, função ou cargo. Reconstruindo metas, objetivos, motivação e empenho, colocando a favor de si e da empresa na qual ocupa um determinado cargo.
Para chegar a um grande resultado é preciso dar o primeiro passo, estar aberto ao conhecimento, a aprendizagem, pois somente ela poderá nos incluir e destacar a diferença, excluindo o medo e o fracasso de nosso objetivo.
Garantir o bom relacionamento, a troca de experiências vale muito quando se trata de capacitação e qualificação, renovando sempre os conhecimentos e as idéias a serem compartilhadas.

Fonte:
CARVALHO, Geisiane Fernandes de. A didática como ferramenta no treinamento. Pedagogia em Foco, Rio de Janeiro, 2005. Disponível em: . Acesso em 11 de julho de 2008.